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segunda-feira, 13 de maio de 2013

Edmundo de Bettencourt - "Poemas Surdos" (Assírio e Alvim, 1981)






"Poemas Surdos" foi escrito entre 1934 e 1940.

Verdadeiro Vulto de singularidade. Rugido bizarro que ensurdece o convencional.



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Sepultura Aérea


Ali os répteis cobriam sem deixar espaço
as árvores, os caminhos e os montes.
Foi então que a ave inquieta e enjoada
abandonou a aldeia dos répteis para sempre.
Ei-la chegada a um ponto extremo.
Porém não tem onde pousar.
Em frente é a baía mágica dos vulcões em actividade.
Em cima o céu com a sua ausência.
Em baixo o mar com o seu fundo.
À passagem de todos os limites,
a escuridão sem nome e vida ignota.
Em todas as direcções mais que atraída
A ave negra fica no ar, parada, e ali jaz?







EDMUNDO DE BETTENCOURT, Poemas Surdos



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