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quinta-feira, 3 de abril de 2014

Olga Gonçalves (1929-2004)




 


Ficcionista. Poeta.

Desta singular romancista sabe-se que fez a escolaridade em Lisboa, tendo frequentado na Universidade de Londres o King's College e o Queen Elizabeth College. Foi professora de inglês dos funcionários de uma empresa multinacional em Lisboa. Embora constando da sua bibliografia seis livros de versos publicados entre 1972 e 1983, é sobretudo conhecida como ficcionista depois de Mandei-lhe uma Boca (1977), romance sociológico centrado nas alterações de comportamento dos adolescentes face às mudanças estruturais da sociedade portuguesa posteriores a 1974.

A aliança entre o social e a literatura, cumprida no seu estádio mais pragmático no referido romance, virá a conhecer novos desenvolvimentos em Sara (1986) – retoma e aprofundamento da problemática tratada naquele – e em Armandina e Luciano, o Traficante de Canários (1988), incursão no mundo da prostituição feminina lisboeta, apoiada no depoimento alheio, em que as fronteiras entre o romanesco e a inquirição formalmente se esbatem.

Esse apego ao verosímil e ao estilo coloquial está patente em Ora Esguardae (1982), considerado o «mural» da Revolução, que no seu movimento histórico-circular, conquanto em directa dependência do mundo liminar-falante, cria modos de testemunho da luta de classes pela valorização da pluralidade dos dizeres e está na linha das suas melhores operações de salvaguarda da fala do tempo como ilustração insubstituível do «espírito da época».

Ainda no âmbito opcional da recuperação da voz de um povo, há a considerar A Floresta de Bremerhaven (1975), e Este Verão o Emigrante Là-bas (1978).

Tem obras traduzidas em checo, eslovaco, russo, espanhol e alemão. Traduziu Simone de Beauvoir, A Mulher Destruída (1975) e Benoîte Groult, Assim Seja (Ela) (1976).




(Texto retirado, com uma ou outra alteração, do Dicionário Cronológico de Autores Portugueses, Vol. V, 2000, Publicações Europa-América)
 
 

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